Saúde, cultura e pertencimento: por que o movimento também transforma a relação das novas gerações com as empresas!
Administrador
Autor
Durante muito tempo, falar sobre benefícios corporativos significava pensar principalmente em assistência médica, alimentação, transporte e remuneração.
Esses elementos continuam fundamentais. Mas a relação das novas gerações com o trabalho vem incorporando outras dimensões.
Bem-estar, desenvolvimento, propósito, relações sociais, equilíbrio e identificação com a cultura da empresa passaram a ocupar um espaço relevante nessa experiência.
A pesquisa Gen Z and Millennial Survey 2026, da Deloitte, mostra essa transformação. No Brasil, o levantamento ouviu 804 pessoas, sendo 501 integrantes da Geração Z e 303 millennials.
Entre os brasileiros entrevistados, praticamente todos relacionaram a existência de propósito à satisfação no trabalho. Além disso, 81% da Geração Z afirmou que ter um amigo no ambiente profissional aumenta sua felicidade, enquanto 54% disseram que essa relação os faz considerar permanecer mais tempo em uma empresa.
Os dados ajudam a entender uma transformação importante:
A experiência profissional também é construída pelas conexões que acontecem dentro e ao redor do trabalho.
E é nesse cenário que saúde, esporte, cultura e comunidade começam a se encontrar.
Uma geração que quer se movimentar!
O crescimento das corridas de rua é um dos exemplos mais visíveis desse movimento.
Mas não se trata apenas de performance esportiva.
Correr, caminhar e participar de eventos esportivos também se tornaram formas de socialização, criação de comunidade e construção de hábitos relacionados ao bem-estar.
O relatório Year in Sport 2025, do Strava, identificou que a Geração Z liderou o crescimento da participação em provas.
Em relação ao ano anterior, a participação dessa geração aumentou 38% nas provas de 5 km e 39% nas de 10 km, além de avanços importantes nas meias-maratonas e maratonas.
A pesquisa também identificou que pessoas da Geração Z têm 75% mais probabilidade que integrantes da Geração X de apontar uma corrida ou evento como principal motivação para praticar exercícios.
A caminhada também ganhou espaço: foi a segunda atividade mais registrada no Strava em 2025.
O movimento, portanto, não pertence apenas a quem busca recordes ou longas distâncias.
Ele também está relacionado a quem simplesmente decidiu começar.
O que os números da PH Run mostram sobre esse movimento
A PH Run 2026, que chega à sua quarta edição, ajuda a observar esse comportamento de perto.
A edição conta com 338 inscritos e reúne pessoas entre 2 e 73 anos, formando um público que atravessa diferentes gerações.
E alguns números chamam atenção.
1 em cada 3 inscritos pertence à Geração Z
Considerando o mesmo recorte adotado pela Deloitte — pessoas nascidas entre 1995 e 2007 — 33,7% dos inscritos da PH Run pertencem à Geração Z.
Quando somamos Geração Z e millennials, essas duas gerações representam 61,2% dos participantes.
Ou seja:
mais de seis em cada dez inscritos pertencem justamente às gerações que estão ajudando a transformar a relação entre trabalho, bem-estar, desenvolvimento e propósito.
Movimento não precisa significar performance
Outro dado ajuda a compreender o perfil da PH Run.
Dos 338 participantes:
- 193 escolheram a caminhada de 5 km
- 116 escolheram a corrida de 5 km
- 29 participarão da corrida de 10 km
Isso significa que 57,1% dos inscritos optaram pela caminhada.
Mesmo dentro da Geração Z, a caminhada é a modalidade mais escolhida.
O dado reforça uma ideia importante:
promover saúde não significa exigir performance.
Criar espaços acessíveis para diferentes níveis de condicionamento permite que mais pessoas participem, inclusive aquelas que ainda não se identificam como atletas ou corredores.
Em uma iniciativa voltada ao bem-estar, começar a se movimentar pode ser tão importante quanto cruzar a linha de chegada.
Mulheres também lideram a participação
As mulheres representam 64,2% dos inscritos da PH Run 2026.
São 217 participantes mulheres diante de 121 homens.
Na caminhada de 5 km, essa presença é ainda mais expressiva.
Além de revelar características do público da edição, os números também abrem espaço para ampliar conversas relacionadas à saúde feminina, prevenção, qualidade de vida e incentivo à prática regular de atividade física.
Especialmente em um evento realizado durante o período de mobilização do Outubro Rosa, saúde, prevenção e movimento podem ocupar o mesmo espaço.
Uma experiência que atravessa gerações
Outro número revela uma dimensão diferente do evento:
44 crianças estão inscritas na PH Run 2026.
São 13% de todos os participantes.
Quando crianças, familiares e acompanhantes passam a fazer parte da experiência, a relação com o evento deixa de acontecer exclusivamente entre empresa e colaborador.
Ela alcança também as famílias e a comunidade.
Esse encontro entre diferentes gerações reforça uma característica importante das experiências coletivas: elas criam memórias, relações e pontos de contato que dificilmente seriam produzidos apenas no ambiente de trabalho.
Saúde também faz parte da cultura
Quando uma empresa estimula atividade física, integração e convivência, a iniciativa pode produzir efeitos que vão além do dia do evento.
Ela pode estimular:
- novos hábitos;
- interação entre equipes;
- relações entre pessoas de diferentes áreas;
- participação das famílias;
- sentimento de pertencimento;
- conversas sobre prevenção e saúde;
- aproximação entre colaboradores e empresa.
É nesse ponto que saúde deixa de ser exclusivamente uma questão individual.
Ela passa a fazer parte da experiência e da cultura organizacional.
Para as novas gerações, essa coerência entre discurso e prática pode ganhar ainda mais importância.
Uma organização pode afirmar que valoriza pessoas.
Mas experiências concretas permitem que as pessoas percebam como esse valor aparece no cotidiano.
E onde entra a sustentabilidade?
Sustentabilidade corporativa também deixou de estar limitada às questões ambientais.
Meio ambiente continua sendo parte essencial dessa agenda, mas sustentabilidade também envolve pessoas, comunidades e a capacidade de uma organização gerar impacto positivo e duradouro.
Dentro da agenda ESG, iniciativas relacionadas à promoção da saúde, bem-estar, inclusão, convivência e impacto social estão principalmente conectadas ao pilar Social.
Isso significa que uma corrida, isoladamente, não transforma uma empresa em uma organização sustentável.
Mas uma política permanente de saúde e bem-estar, acompanhada de indicadores, metas e continuidade, pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de sustentabilidade.
E existem oportunidades para avançar também na dimensão ambiental dos eventos.
Redução de materiais descartáveis, coleta seletiva, reciclagem, uso de materiais reutilizáveis, fornecedores locais, mobilidade compartilhada e mensuração de resíduos são exemplos de ações que podem ampliar o impacto positivo das próximas edições.
O ponto principal é simples:
não basta realizar. É preciso medir.
De evento a plataforma de impacto
A evolução natural de iniciativas como a PH Run está justamente nessa mudança de perspectiva.
Em vez de avaliar apenas:
quantas pessoas participaram?
também podemos começar a perguntar:
- quantas pessoas começaram a praticar atividade física?
- quantas aumentaram sua frequência de exercícios?
- quantos participantes estão fazendo sua primeira prova?
- como a experiência influenciou a percepção sobre saúde e bem-estar?
- colaboradores se sentiram mais conectados à empresa?
- pessoas de diferentes áreas passaram a interagir?
- qual foi o impacto social produzido?
- quanto resíduo foi gerado e reciclado?
- quantas pessoas pretendem continuar se movimentando depois da corrida?
Essas respostas transformam participação em indicadores de impacto.
E indicadores permitem acompanhar evolução.
O movimento que fica depois da linha de chegada.
A PH Run é realizada em um único dia.
O impacto que ela pode provocar, não necessariamente.
Quando alguém começa a caminhar para conseguir completar seus primeiros 5 km, quando colegas de áreas diferentes começam a treinar juntos, quando uma criança participa ao lado da família ou quando uma pessoa passa a olhar para sua própria saúde de uma maneira diferente, o evento já ultrapassou a corrida.
É justamente essa capacidade de conectar saúde, cultura, pessoas e comunidade que pode transformar eventos corporativos em plataformas permanentes de experiência e impacto.
Os números da PH Run 2026 mostram que diferentes gerações já estão se encontrando nesse movimento.
Agora, o próximo passo é continuar avançando.
Porque colocar pessoas em movimento também pode significar aproximá-las.